Bola Murcha Esportes – Coluna de Paulo Vinícius Lebre Entre cifras, sonhos e realidade: o campeonato que promete (e já entrega) emoções

Publicado em: **Terça-Feira, 10/02/2026**

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Há muito tempo o nosso futebol não respirava um ambiente tão carregado de expectativa quanto nesta temporada. Dados históricos apontam que, desde 1955, o campeonato não registrava um volume tão alto de investimentos, algo que remete até mesmo aos ciclos de crescimento observados ainda nos anos 1940, quando o futebol nacional começava a se consolidar como paixão popular e indústria esportiva.

A torcida, claro, foi junto nesse embalo. Arquibancadas cheias, redes sociais fervendo e uma ansiedade quase palpável: todos queriam ver os novos craques, os reforços milionários, os projetos ambiciosos saírem do papel e se transformarem em espetáculo dentro de campo.

Os resultados, porém, nem sempre corresponderam às expectativas imediatas. Em muitos jogos, o placar final deixou um gosto agridoce, especialmente para torcidas acostumadas a vitórias expressivas. Mas seria injusto analisar este início de campeonato apenas pelo número frio de gols ou pontos.

O que se viu foi um verdadeiro desfile de ideias, estilos e propostas. Times mais ofensivos, linhas mais altas, valorização da posse de bola, jovens ganhando espaço, veteranos reinventando seus papéis. Um futebol mais corajoso, mais ousado, mais disposto a correr riscos — e isso, por si só, já representa um avanço significativo.

Historicamente, sabemos que grandes ciclos de investimento raramente produzem resultados imediatos. Em 1955, por exemplo, quando clubes também apostaram pesado em estrutura e elenco, os frutos só começaram a ser colhidos de forma consistente alguns anos depois. O mesmo ocorreu em diferentes momentos da década de 1940, quando o futebol ainda se organizava como espetáculo de massa.

Hoje, não é diferente. O que está em curso é uma transformação mais profunda, que vai além de contratações pontuais. É uma mudança de mentalidade, de gestão e de visão de futuro. Os clubes estão pensando mais em sustentabilidade, formação e identidade, sem abrir mão da competitividade.

Por isso, ainda que os placares nem sempre satisfaçam, o campeonato já entrega algo valioso: esperança. Esperança de um futebol mais vibrante, mais moderno e mais conectado com o torcedor. E, como sabemos, no futebol — assim como na vida — grandes histórias raramente nascem prontas. Elas são construídas, jogo a jogo, temporada a temporada.

E este campeonato, tudo indica, está apenas começando a escrever a sua.