Luciano decide e Lagoa Nova em casa respira

Publicado em: **Domingo, 14/09/2025**

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No Estádio Olímpico Fernando Dalfré, em Limeira, pouco mais de 11,8 mil torcedores — 600 deles visitantes — foram testemunhas de um primeiro tempo digno de roteiro: o Predilar FBPA saiu na frente logo aos 2 minutos, num pênalti convertido por Alan Patrick, mas viu o dono da casa dar a volta por cima com três gols antes do apito para o intervalo. Luciano fez o papel de herói à la estádio lotado: dois gols (39' e 45+5') e nota 8,2; Matías Soulé também deixou a sua marca aos 45' e recebeu 8,0. O placar, ao intervalo, já apontava 3 a 1 para o Lagoa Nova — e as estatísticas explicam por que o resultado, apesar do placar folgado, carrega uma história de paradoxos.

Ritmo, roteiro e virada: o que os minutos disseram
A sequência do jogo foi cruel para o Predilar: um gol cedo de pênalti no minuto 2 dava a impressão de controle e vantagem, mas o panorama mudou a partir da metade da primeira etapa. Luciano igualou aos 39', Soulé virou aos 45' e o próprio Luciano ampliou já nos acréscimos do primeiro tempo. Três gols em seis minutos transformaram um cenário de visitante em noite de celebração para o público local — e decretaram, na prática, a decisão do jogo.

Números que contam uma história ambígua
O que torna o placar curioso é a discrepância entre volume/qualidade de chances e eficiência. O Predilar foi superior em alguns indicadores de domínio ofensivo: teve 12 remates contra 10 do Lagoa Nova, mais escanteios (7 a 5) e um xG (gols esperados) quase o dobro — 2,84 contra 1,47 do mandante. Além disso, os visitantes dominaram os duelos aéreos (37 ganhos em 55, 67%) e completaram 23% dos cruzamentos (6/26), enquanto o Lagoa completou apenas 6% (1/18). Tudo isso sugere que o Predilar criou muitas oportunidades de alto valor teórico.

Mesmo assim, o aproveitamento foi o fator decisivo. Ambos os times tiveram 4 finalizações na baliza, mas o Lagoa Nova converteu três dessas chances em gol. O Predilar, com xG superior e quatro “oportunidades flagrantes” (contra apenas 1 do adversário), foi incapaz de transformar dominância em resultado. Em outras palavras: eficiência e frieza nos momentos decisivos deram a vitória ao time da casa.

Disciplina, faltas e emoções
A leitura disciplinar também favorece a narrativa da virada: o Predilar cometeu 28 faltas contra apenas 6 do Lagoa Nova e recebeu 7 cartões amarelos — entre eles, Marcos Llorente (aos 8') e Cristhian Mosquera (15'). A sucessão de faltas e advertências sugere uma equipe que perdeu a calma e recorreu à intensidade física para tentar retomar o controle, o que, além de quebrar ritmos, abriu caminhos para rebotes e contra-ataques do adversário.

Posse e circulação: equilíbrio, mas com estilos distintos
A posse terminou empatada (50% para cada lado), e os números de passe mostram ligeira vantagem do Predilar em eficiência: 84% de passes completados (328/390) contra 81% do Lagoa (330/409). Porém, esses passes do Predilar nem sempre se traduziram em finalizações precisas. Enquanto o visitante apostou mais em jogo direto e cruzamentos (maior sucesso nos aéreos), o Lagoa Nova foi cirúrgico quando teve espaço — convergindo para uma estratégia de transição eficiente.

Destaques individuais e leitura dos treinadores
No visitante, Alan Patrick (7,0) foi o homem do gol de pênalti e correu muito (aprox. 13,5 km), demonstrando entrega; ainda assim, não foi suficiente. Pelo lado do Lagoa, Luciano teve noite de luxo: 2 gols, 8,2 de nota, decisivo na virada. Matías Soulé (8,0) também se destacou ao marcar no final da primeira etapa. A média de notas corrobora: Lagoa Nova com classificação média 7,09 contra 6,65 do Predilar — uma diferença pequena numericamente, mas simbólica no impacto no placar.