Publicado em: **Quinta-Feira, 20/08/2026**
Existem jogadores que chegam a um clube.
E existem jogadores que ajudam a construí-lo.
Edmilson Jr pertence ao segundo grupo.
Presente desde o início do projeto, o atacante viveu todas as versões do Carcará. Esteve nos momentos de incerteza, participou do crescimento da equipe e levantou todos os títulos conquistados pelo clube até hoje.
Quando o Carcará venceu pela primeira vez, ele estava lá.
Quando voltou a vencer, também.
E conforme uma equipe se transformava em um clube com história, Edmilson Jr fazia parte dela.
Mas futebol também é feito de ciclos.
Com a reformulação do elenco para a nova temporada, diretoria e comissão técnica decidiram não renovar seu contrato. Uma decisão que não nasceu da falta de respeito ou reconhecimento, mas justamente de uma das responsabilidades mais difíceis dentro de um clube: separar aquilo que um jogador representa daquilo que o planejamento esportivo exige para o futuro.
A notícia naturalmente atingiu o torcedor.
Edmilson é querido nas arquibancadas, no vestiário e dentro da própria diretoria.
Mas o Carcará entende que existe um princípio que precisa sobreviver a qualquer geração:
ninguém é maior que o clube.
Nem mesmo aqueles que ajudaram a construí-lo.
E talvez seja justamente isso que torne algumas despedidas tão dolorosas.
Jornalista:
Edmilson, depois de tantos anos, chegou o momento da despedida. Como é estar aqui sabendo que seu ciclo no Carcará terminou?
Edmilson Jr:
É difícil. Muito difícil. Porque isso aqui nunca foi só um clube para mim. Eu acompanhei o Carcará crescendo e sinto que cresci junto com ele. Vivi coisas aqui que vou carregar para o resto da minha vida.
Jornalista:
Você esteve presente em todos os títulos da história do clube. Qual é o sentimento olhando para essas conquistas agora?
Edmilson Jr:
Orgulho. Quando chegamos aqui, ainda existia muita coisa para construir. Hoje você olha para o Carcará e vê um clube com identidade, torcida, história e títulos. Poder dizer que participei de tudo isso é especial.
Jornalista:
Você gostaria de ter permanecido?
Aqui eu faria a resposta ser muito humana, porque aumenta bastante o peso da história.
Edmilson Jr:
Claro. Se dependesse só do carinho que tenho por esse clube, provavelmente ficaria para sempre. Mas futebol não funciona assim. Existem decisões, ciclos e momentos diferentes. Eu respeito isso.
Jornalista:
Rially, por que não renovar com um jogador que representa tanto para o Carcará?
Essa seria a pergunta mais importante da entrevista.
Rially:
Porque existe uma diferença entre gratidão e planejamento.
O Edmilson tem nossa gratidão para sempre. Isso nunca esteve em discussão.
Mas precisamos tomar decisões pensando no próximo Carcará. E às vezes a decisão correta para o futuro é também uma das mais difíceis emocionalmente.
Jornalista:
Não existia espaço para mantê-lo justamente pela importância que possui no vestiário?
Rially:
Essa possibilidade foi considerada. Mas não queremos manter ninguém apenas pelo que representou no passado.
Isso seria injusto com o próprio Edmilson.
Se ele estivesse aqui, teria que estar porque acreditamos que ele faz parte do nosso planejamento esportivo. Quando percebemos que os caminhos estavam começando a seguir direções diferentes, entendemos que o mais correto era conversar com ele com transparência.
Jornalista:
Então podemos dizer que foi uma decisão puramente esportiva?
Rially:
Sim.
Não houve problema de relacionamento. Não houve ruptura. Não houve falta de comprometimento.
Existe carinho da comissão, da diretoria, dos jogadores e da torcida.
Simplesmente chegou o momento de encerrar o ciclo.
Jornalista:
Edmilson, você ficou magoado com a decisão?
Edmilson Jr:
Na hora é impossível não ficar triste. Sou jogador e queria continuar jogando.
Mas uma coisa é ficar triste, outra é deixar de reconhecer tudo que vivemos juntos.
Eu posso estar saindo do Carcará hoje, mas ninguém tira de mim o fato de ter feito parte dessa história.
Jornalista:
Existe alguma partida ou título que você considera mais especial?
Edmilson Jr:
É difícil escolher um. Talvez o primeiro, porque foi quando percebemos que aquilo que estávamos construindo poderia realmente se tornar alguma coisa grande.
Depois dele, cada título adicionou um pedaço à nossa história.
Jornalista:
Você voltaria ao Carcará algum dia?
Edmilson Jr:
Eu nunca fecharia essa porta.
E aí eu faria o representante do Carcará interromper pela primeira vez.
Rially:
E ela também nunca estará fechada deste lado.
Jornalista:
Se pudesse falar diretamente com o torcedor do Carcará agora, o que diria?
Edmilson Jr:
Obrigado.
Obrigado por cada música, cada mensagem, cada comemoração e até pelas cobranças.
Quando cheguei aqui, eu era apenas mais um jogador tentando ajudar um projeto.
Estou saindo sabendo que fiz parte da história de um clube.
E onde quer que eu esteja, sempre vou torcer pelo Carcará.